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Está no dicionário: templo pagão asiático.
Mas no Brasil, a palavra pagode passou a
denominar também um tipo de festa "com
comida e bebida, de caráter íntimo", na
definição acadêmica do folclorista Câmara
Cascudo. Em qualquer festa que se preze,
porém, não pode faltar música alegre – e aí,
naturalmente, entra o samba. Foi ele que fez
do pagode uma das mais fortes tradições dos
subúrbios do Rio de Janeiro. Um quintal
guarnecido pela sombra das árvores, algumas
caixas de cerveja, uns quitutes, um
cavaquinho ali, mesinhas para se batucar...
está formado o cenário para que os
versadores e instrumentistas mostrem sua
categoria, o público sambe animado e a tarde
entre pela noite e a noite pela madrugada.
Ao longo dos anos 70, quando os emergentes
sambistas se viram diante do bloqueio das
rádios e das próprias escolas de samba
(reféns de um Carnaval comercializado), os
pagodes se tornaram a melhor opção para que
suas composições fossem ouvidas e
divulgadas. |